segunda-feira, 29 de abril de 2013


REFLEXÃO FILOSÓFICA

INATISMO E EMPIRISMO.

O inatismo ou empirismo? A filosofia a fim de responder a diversos questionamentos, tais como, de onde veio o principio racional, a capacidade para a intuição e o raciocínio, se nascemos com eles ou vem de uma forma da coerção, pelo campo da experiência, bem como quais das razões devem compreender como a “verdadeira” razão, para esta problemática, foram oferecidas pela filosofia duas respostas:
-A primeira é o inatismo, na qual afirma que a razão já nasce conosco, e que junto a ela trazemos todo o principio racional como assim algumas idéias verdadeiras, sendo estas idéias inatas.
-A segunda é o empirismo, que ao contrario do inatismo afirma que a razão não nasce conosco, mas com a experiência é que adquirimos todos os princípios, todos os procedimentos das idéias.
Bem, quem é que está certo? Vejamos.
O inatismo afirma que todo ser humano nasce com idéias verdadeiras, que tais idéias herdamos como descreveu Platão, que ao retornarmos do reino dos mortos passamos por um vale, na qual fica a fonte do esquecimento; e que todos bebem do líquido que irá dar a cada qual sua razão inata, os que desta fonte ou rio bebem por abundância, tal líquido, esquecerão tudo o que aprenderam em outras vidas, ficando esses sem saber toda verdade que adquiriram em outras vidas; já quem beber pouco deste líquido, trará consigo toda a verdade que herdou em outras vidas, tornando-se sábio e usando toda essa razão herdada, pois ao contrario dos primeiros, são capazes de lembrar tudo que acumularam em sua razão inativa.
Para o filósofo Descartes, as idéias inatas partem de um ser supremo, um criador, e que a razão é uma luz natural inata que nos permite conhecer a verdade; para ele somente esta força superior tem o verdadeiro poder para passar a todos os seres humanos; então vejamos, o princípio fundamental do inatismo está na pureza do ser superior, que nós nascemos com a benção e o conhecimento racional verdadeiro que nos é passado conforme o nosso merecimento, que temos, portanto a percepção do que é certo ou errado conforme nossa evolução. Segundo Platão, ao bebermos a água do esquecimento, e a de Descarte através do ser supremo, nos é passado conforme o estágio que estamos em nossa evolução espiritual (segundo o meu entendimento).
Já o empirismo nos afirma o contrário, que a experiência é a única fonte do conhecimento e que não há idéias inatas, que nossas mentes se encontra vazia antes de receberem qualquer tipo de informação sensorial, e que todo o nosso conhecimento acerca dos fatos, mesmo as coerções que nos são passadas, vem da experiência e, por isso, só existe dentro dos limites da observação, que tudo isto conduz a um probabilismo ou mesmo a um cepticismo. Com isto tudo os empiristas em sua concepção, nos dão a noção que ao nascermos não estamos contemplados dos ensinamentos (razão) que, segundo Platão e Descartes, adquirimos antes de nascermos; que a nossa razão nada mais é que uma “folha em branco” onde nada foi registrada, ou uma “tábula rasa” na qual também não fora registrado nada. Para os empiristas ainda estamos crus, somos como os diamantes e precisamos ser lapidados, moldados para que possamos assumir nossas verdadeiras identidades.
Com o decorrer do tempo, através das experiências que iremos conquistando, esta folha em branco começa a ser escrita e a tábula rasa gravada, porque a razão só se pode expressar desta maneira, através do conhecimento e de tudo que adquirimos. Também afirmam que nosso conhecimento começa com os sentidos e com as sensações, os sentidos através da visão, do olfato, do tato, da audição e do paladar, já as sensações através do aroma, perfume, formato.
Todos têm suas razões, e é por este motivo que reconhecemos o verdadeiro valor da filosofia, que se estende para todas as outras matérias, por esta gama de saber, do conhecimento, da razão. Quem é contra a sua própria razão, seja ela inata como alguns religiosos, ou empíricos como muitos cientistas, mas ambos tem sua verdade, como Platão ao reconhecer que após a morte retornamos, e cada qual terá a razão que mereça, ou Descarte ao afirmar que as idéias inatas são conhecidas por intuição de onde parte para dedução racional e que um ser supremo é quem a coloca em nós, ou seja, escreve em nós estas idéias inatas. Já os empiristas como Bacon, Hobbes, Locke, Berkeley e Hume, defendem que toda esta razão só será adquirida conforme for nossa aprendizagem, por que não trazemos nada de conhecimento ao nascermos, e que temos que ser lapidados e com o tempo armazenamos todo o conhecimento exterior que formos colhendo.
Chego à conclusão que a experiência pode explicar muito do que somos, mas também questiono: e a paixão, a fome, a dor, o medo do desconhecido, a fé, será que tudo isto vem também da experiência, ou é algo que trazemos conosco logo que nascemos? Quem realmente está com a verdadeira razão?

CELSO TOLARDO DE AMORIM.

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